nicolas kauê freitas PEREIRA DECLARA APOIO ÀS PERAS - para que te queros.

  Acho que estou encontrando meu caminho de volta. É estranho dizer, mas a cada doença eu fico mais forte. Mais saudável, mais a par do meu pátio. Cada lesma cada bactéria que tem nesse solo, uma hora esmaecem e viram adubo.

Falei com a minha tia, sinto que ela não ama o marido. Ama o jogo, mas não ama o marido. Encena sem nem saber, me pergunto se ela se aproxima mais de uma Marília Pera ou de uma Pera, apenas. Marionete da fome de um outro. Pelos relatos que me conta, ela só se sente uma quando o seu homem está com fome, e pensa em com ela fazer uma torta de pera, uma chimia, aplicar transgênicos e de verde, a fazer rosa. 

Eu não, penso diferente. Tento fazê-la enxergar que antes de cair do pomar nas mãos dele, era vida e vivia. Que com ele ou sem ele, o sabor sempre vai restar dentro. E que sendo homem, pouco sabe fazer quando se de.para com uma pera. Por mais que saiba as variações, pouco sabe das receitas. Não o vejo com a mão na massa, mas o vejo polvilhando decepções. 

Ele é fraco, todos os homens são. Criaturas frágeis, manipuláveis e inteiramente limitadas. Vê as tortas como coisas magistrais, mas não entende que sem a fruta, a massa ia restar seca. 

Ele não quer produzir prole, em outras palavras, não quer ter filhos. Ela, minha tia, quer filhos e mais, família. E eu, não quero vê-la abdicar do sonho de nutrir um solo fértil, pra seguir um homem rumo terra seca, desconhecida. Entretanto, onde quer que esteja, espero que chova. 







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